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Assuste, mas não mate (1)
itiro — qui, 06.11.2008 - 16:55
Eu pensei em colocar o arquivo que eu usei para fazer a oficina para os interessados, mas ao ler o material percebi que a maioria das pessoa não iria entender muita coisa só com aquilo, acho melhor transformar o material em matéria do site mesmo.
Afinal de contas são meios diferentes e é preciso respeitar as características.
Assustar jogadores quando eles sabem que é tudo "de mentira" não é uma tarefa simples.
Pesquisando para enriquecer meu jogo me deparei com um ótimo capítulo sobre o assunto num RPG chamado "Lost Souls" (o autor está distribuindo uma versão eletrônica do livro aqui) e este material acabou me direcionando para "The Philosophy of Horror".
Eu não concordo integralmente com os dois materiais, mas várias coisas parecem fazer muito sentido. O "Philosophy of Horror" foi feito para literatura e filmes e algumas coisas precisam ser adaptadas.
Vamos começar falando sobre algumas teorias comuns sobre como assustar jogadores e alguns problemas em cada uma delas:
Pacto de Verossimilhança
De acordo com esta teoria os jogadors só se assustam com coisas em que acreditam. Para conseguir arrancar sustos a história tem que ser realista, verossímil para não violar o pacto e assim conseguir criar medo nos joagadores.
Problemas com isso:
Por mais que todo mundo se esforce, todo mundo sempre vai saber que é só "faz-de-conta", principalmente porque o RPG não é um meio que facilite este tipo de coisa, nós sempre vamos estar sentados com papéis, dados, lápis, refrigerante e salgadinhos.
Além disso, é possível nos assustarmos com coisas que sabemos não ser reais. A ficção é capaz de criar emoções reais.
Interpretação
Aqui as pessoas defendem que os jogadores interpretem o medo. O mestre apresenta a situações assustadoras e os jogadores fingem estar com medo.
O problema desta teoria: com a incrível capacidade de interpretar da maioria das mesas, pedir para as pessoas fingirem ter medo e contar uma bela piada tem o mesmo efeito, é pedir para o jogo virar uma ótima sessão de "terrir".
Além disso, a ficção é capaz de produzir emoções verdadeiras, inclusive o medo, porque nos contentarmos com uma falsificação se somos capazes de atingir um resultado autêntico?
Continuo com as explicações numa outra ocasião.
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