RPG, Pôquer, jogos, mágica e qualquer coisa que der na telha.
Navegação
Login do usuário
O poder corrompe
itiro — seg, 23.06.2008 - 12:31
Esta é a continuação de Ética e comportamento no RPG, se você não leu acho melhor começar por ali.
O poder corrompe já dizia Lorde Acton, para ser mais correto, a sentença completa é: "O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Grandes homens são, quase sempre, maus."
As personagens em nossas histórias tendem a agir de maneira amoral porque elas podem. As maiores conseqüências deste tipo de ação são internas, é na hora de colocar a cabeça no travesseiro que o lixo acumulado durante a vida vem nos assombrar. E como normalmente esse tipo de coisa não acontece num jogo as personagens tendem a assumir o tipo de ação que parece ter o resultado mais efetivos.
Parece ser muito mais simples torturar alguém do que conseguir uma informação só com um interrogatório. Também parece muito mais fácil sumir com um corpo do que enfrentar a polícia e explicar o que está acontecendo.
O caminho amoral parece mais fácil, tudo parece mais simples se você não precisa se preocupar com as conseqüências de suas ações. A literatura e os filmes são recheados de heróis amorais e eles normalmente parecem cools, vários destes heróis sofrem com seus atos, mas não é essa a parte que nós registramos..
É mais difícil agir corretamente, você perde opções, é por isso que na maioria dos sistemas "código de honra" é uma desvantagem. E na nossa sociedade isso também passou a ser visto como uma desvantagem. São os "otários" que não dão caixinhas, pagam todos os impostos, respeitam as filas, não entram em esquemas, etc...
Em jogos onde há conseqüência para este tipo de comportamento como Godlike, Unknown Armies, Call of Cthulhu, se o mestre usar as regras os jogadores costumam pensar um pouco mais antes de adotar uma linha de ação amoral.
Não sei se há algum mal em vibrar quando o Charles Bronson vinga a morte da mulher faz justiça com as próprias mãos assassinando toda a gangue de motoqueiros ou fazer nossa personagem num jogo fazer isso. Talvez isso seja uma coisa importante para garantir que nós não façamos isso na vida real, mas acho que deve parecer muito estranho para as pessoas que não conhecem o RPG e assistem a uma mesa de jogo.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Comentários recentes
- Aí é que está...
2 semanas 4 dias atrás - Por um lado...
2 semanas 4 dias atrás - Nada além?
2 semanas 5 dias atrás - Você tem toda a razão
2 semanas 5 dias atrás - Agenda?
2 semanas 5 dias atrás - Teoria?
2 semanas 5 dias atrás - Boa sugestão
2 semanas 5 dias atrás - Muito bom!
2 semanas 5 dias atrás - Até que enfim
2 semanas 6 dias atrás - sempre joguei com todos as
3 semanas 4 dias atrás


Otimo trabalho
Anonymous — qua, 25.06.2008 - 09:33opa, tudo bem??
Andando na net, me deparei com seu blog e curti seus textos.
Sou o admin do site www.ddbrasil.com e estamos com um novo modulo no site que é para colunistas, entao vou direto no assunto eheheh
Gostaria de saber se você não estaria interresado em escrever colunas no portal tambem, ou apenas replicar para la, os textos publicados aqui.
Nessa nova seção de colunas, o colunista tem liberdade total para escrever o que bem entende e sobre o assunto que quizer, inclusive não tem uma tempo estipulado para postar, se quizer postar umas vez a cada 6 meses, não teria problema nenhum.
Tomei a liberdade de postar esse texto seu la (logicamente indicando o autor e o site), pois curti o assunto e gostaria de discutir com as pessoas do forum.
Se você não quizer ser colunista, posso colocar no site os textos que achar interresante? (sempre indicando o site e o autor)
Tentei entrar em contato de outra forma, mais não achei como pelo site.
Por favor me manda um e-mail no admins@ddbrasil.com ou se preferir é so mandar uma mensagem pelo meu site meu nick é CrazyChiken
Abraços e obrigado pelo seu tempo
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Poder, jogo, interpretação.
Ricardo — seg, 23.06.2008 - 23:32Engraçado. Eu nunca tinha ouvido (ou lido) essa citação toda do lorde Acton. Tendo lido aqui me fez pensar um pouco mais na minha idéia/proposta de enredo onde o herói de hoje é o vilão de amanhã. O Herói ascende, ganha poder (vira rei ou o que o valha) e causa opressão (mesmo que não no próprio povo)... então surge outro herói pra combatê-lo e assim por diante, ciclicamente.
Mas enfim, eu concordo que seja uma decisão mais fácil e descompromissada porque tá todo mundo jogando. Mas tb penso que isso depende de quem joga, das preferências do jogador (os player types, como dizem Robin Laws e outros) e do apego dessa pessoa com o personagem. Às vezes, do que julga-se (não só o jogador, mas o grupo) ser melhor pro enredo tb: é mais interessante pro personagem e pro universo ao redor dele se ele agir de maneira moral ou não?
Tem gente que pensa "bah, é só um jogo" e tem gente que não interpreta o personagem agindo como se ele/ela (PC) fosse agir, pq pra essa pessoa a diversão não reside nisso.
Porém eu não entendi muito bem no primeiro texto: Os jogadores tinham isso (da moral e da ética) em mente o tempo todo? As ações todas eram baseadas nisso? Ou eles simplesmente encararam como um mero detalhe, dispensável?
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Re: Poder, jogo, interpretação.
itiro — ter, 24.06.2008 - 10:02Olá Ricardo,
Eu concordo que depende do jogador, mas não deveria depender (continuo isso na resposta ao outro comentário).
Sobre as situações específicas:
No jogo de velho oeste o que chocou foi a idade da molecada e a facilidade em cravar a faca na mão do "interrogado", o moleque socou a minha mão para mostrar o que estava fazendo, foi interessante ver a cara de todas as pessoas da mesa quando o NPC desmaiou e eles tiveram que fazer um teste de "consciência" para ver se deixavam a sessão de tortura continuar.
No outro jogo a personagem era uma pessoa ética e boa, essa era a premissa do jogo, eu perguntei se eles iriam realmente fazer aquilo e apesar da titubeada eles seguiram em frente e isso alterou bastante o resultado do jogo.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
O que EU acho estranho...
Anonymous — seg, 23.06.2008 - 14:59É que o outro lado não seja considerado divertido também...
Sim, gosto de jogar com personagens que fazem o que querem ou o que é necessário.
Mas me divirto mais em jogar com personagens humanos, falíveis.
Gosto de interpretar...
Gosto de interpretar as perturbaçõs ao jogar Hunter the Reconing (que é um dos jogos mais absurdadmente apelões que já vi onde um pj recém criado pode encarar um antdiluviadno no tapa.) em vez de simplesmente torcer para a minha humanidade baixar logo como já vi muito jogador de Réquiem
Gosto de interprear seres humanos completos, e isso inclui as horas perturbadoras de insônia depois de ter dado sumiço ao corpo.
Mas deve ser porque eu sou escritor...
Afnal, como vc bem disse aqui, D&D4E vai ser Hack'n'Slash assumido e o público vibra.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
O outro lado é divertido também.
itiro — ter, 24.06.2008 - 10:24Eu e várias pessoas que jogaram comigo acham o outro lado divertido também, é realmente uma escolha dos jogadores, mas alguns jogos facilitam este tipo de jogo e hoje eu acho que é uma coisa que o desenvolvedor deveria levar em consideração na hora de criar o sistema.
Mas além disso, acho que está na hora de alguns mestres levarem este tipo de coisa em conta também. Torna a experiência do jogo mais completa, abre a possibilidade de alguém seguir o rumo do Chico em "7 homens e um destino" e largar a vida de aventuras para virar um camponês, por exemplo.
E também acho que chega uma hora em que alguns jogadores tem que começar a se perguntar porque algumas personagens podem fazer coisas que o jogador não faria, principalmente em jogos onde as personagens são pessoas comuns. Isso também costuma criar situações interressantes em volta de uma mesa de jogo.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Encarar as consequências?
Ricardo — qua, 25.06.2008 - 06:48Fazendo os jogadores encararem as conseqüências do que eles fazem? E, dessa forma, fazer com o jogo o que as antigas histórias faziam?
Uma espécie de metáfora que pode servir como lição (no melhor sentido da palavra, não no de 'punição')? De quebra, usando o jogo como a função que ele tem na infância dos animais (humanos tb), que é ensinar?
Ou, "calma, não é bem por aí", e a idéia é só mais explorar o personagem mesmo?
Eu ia comentar da dificuldade de se encontrar jogadores que queiram explorar o personagem, mas acho que um jogador que gosta da interpretação vai tentar meio que por conta própria fazer esse tipo de coisa e sim, nessas horas é bom que o Mestre o "ampare" nisso... Nada pior que um jogador não poder desenvolver uma vontade dele dentro do jogo.
Tava cá lembrando de umas pessoas que me disseram que tiveram "más experiências" com o RPG. Talvez tenha sido por falta de amparo do Mestre mesmo. No que quer que seja que elas queriam tirar do jogo.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Cuidado com as confusões
itiro — qua, 25.06.2008 - 09:17Não vamos confundir personagens e jogadores. A idéia é fazer as personagens encararem as conseqüências por seus atos. Não quero provocar pesadelos em ninguém porque sua personagem matou alguém no jogo, apesar de tudo o que Jack Chick disse em "Dark Dungeons".
Acredito que o jogo possa servir como ferramenta de ensino sim, mas este não é um objetivo em mesas de jogos normais e pode acontecer "por tabela".
Sobre jogadores que gostam de interpretar a personagem: mais do que um mestre disposto a ajudar, é importante encontrar um grupo disposto a fazer isso, senão você pode se transformar no chato que faz perguntas demais ou coisa assim.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Re: Cuidado com as confusões
Ricardo — qui, 26.06.2008 - 06:02Imaginei que vc tivesse falando das ações dos jogadores com as personagens (então o problema seria dos jogadores) pq vc frisou que "o moleque socou a [sua] mão para mostrar o que estava fazendo"... Então poderia ser uma ação que ele tivesse executando, que escapasse do que a personagem dele faria. Não só má interpretação, mas pq tem jogadores que jogam como sendo eles mesmos na mesa, com as habilidades do personagem (e com um tanto mais de liberdade, também).
Acho que o exemplo que a MCZanini deu antes de mim (ahá! então a culpa é toda sua! xD) é bastante claro, mas tb acho que a idéia é ir além dos parâmetros das regras. A proposta da moralidade era (pelo que eu entendi) do Mestre e não parte das regras do sistema. Embora seja possível dizer que faz parte das regras do jogo do mesmo jeito, já que o Mestre definiu antes da aventura começar... e os jogadores aceitaram.
Mas eu também acho que enriquece o enredo quando vc põe essas coisas na mesa (tanto é que foi por causa de coisas assim que o nosso jogo de Pendragon foi o que foi). Anos (?) atrás, quando a gente discutiu sobre incluir isso em um sistema, eu pensei que fosse impossível, pq dependia demais de quem tava na mesa. A cada dia que passa, no entanto, eu vejo que existem formas de se conseguir... ou ao menos de se incentivar isso.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Isso é trabalho do sistema
itiro — qui, 26.06.2008 - 12:04A cada dia que passa eu tenho mais certeza de que dá para incluir este tipo de coisa no sistema. É tudo uma questão de saber quais botões apertar e cordas puxar.
Quem não estiver querendo jogar deste jeito procura outro sistema de jogo.
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários
Exemplo bestinha, bestinha...
mczanini (não verificado) — qua, 25.06.2008 - 16:49A conversa me fez lembrar algo que aconteceu comigo numa Bienal ou Salão do Livro, talvez em 1999.
Eu estava demonstrando jogos no stand da Devir/Terramédia. Aí entrou uma galerinha no stand que queria jogar Vampiro. Ok, eu disse, não é bem a minha praia (bom, na época não era, hehehehe...), mas vamos tentar.
Num dos primeiros conflitos que eu criei para a história, um dos jogadores disse que seu personagem Gangrel ia virar um lobo e atacar os oponentes... NO MEIO DA RUA! Eu perguntei se era isso mesmo que ele queria fazer: virar lobo na frente de pessoas comuns. Ele confirmou.
Foi então que eu perguntei: "Tem certeza mesmo? Você vai infringir a lei da Máscara dessa maneira tão óbvia?".
Todos os jogadores ficaram paralisados, olhando para mim como se fosse a primeira vez que ouviam falar da Máscara. A questão é que eles já haviam jogado Vampiro antes, mas quem quer que estivesse narrando para eles, pelo jeito, não reforçava esse aspecto crucial do jogo, algo que os game designers sempre desejaram que fosse reforçado (se bem que, aí também entra a questão de se o discurso do manual corresponde ao foco do sistema de regras....).
Não acho que um jogo como o RPG seja capaz de alterar o comportamento das pessoas (se fosse, como costuma lembrar o César Marques, os psicólogos e terapeutas estariam desempregados: bastava jogar RPG e pronto, problema resolvido), mas acho que pode levar as pessoas a refletir sobre seus comportamentos. E o grupo de jogo tem um papel importante para a existência ou a ausência dessa reflexão.
Abraços da MC (aquela que sugeriou o uso de ácido na sessão de jogo que levou a este tópico)
Entre ou Faça o registro para poder enviar comentários